A música como forma de resgate histórico em Angola: O 27 de maio de 1977 referido no rap local

Francisco Carlos Guerra de Mendonça Júnior

Resumo


Este trabalho tem como objetivo realizar um paralelo entre a chacina ocorrida em Angola no dia 27 de maio de 1977 e a música rap. Em 1977, foram mortos entre 20 mil e 80 mil pessoas, em sua maioria militantes do próprio partido no poder, o MPLA. O rap será analisado como uma manifestação artística de reflexão e quebra do silenciamento, realizando um resgate histórico para a população, uma vez que essa chacina é pouco falada nos meios de comunicação locais, bem como invisibilizada também na educação formal. O artigo está dividido em três partes: em um primeiro momento, é abordada a maneira como a música foi utilizada para servir de resistência na luta anti-colonial em Angola, buscando a independência e lutando para expulsar o colonizador, aliada aos movimentos de libertação. No segundo momento, são abordadas as restrições colocadas pelo MPLA como partido do poder e as perseguições feitas às pessoas filiadas ao partido, participantes ativas da luta anti-colonial. As perseguições estenderam-se aos artistas Artur Nunes, Urbano de Castro e David Zé, mortos no dia 27 de maio de 1977, mesmo com o grande apoio dado por estes ao partido e ao presidente Agostinho Neto. Ademais, o Conjunto Kisanguela também sofreu perseguição. Embora este último tenha acompanhado o presidente em várias ações, os seus membros foram presos após o ocorrido, para que não se revoltassem contra o presidente. Por último, é abordado o rap como ferramenta de resgate histórico em Angola. A censura no país restringiu o acesso às informações desses temas, considerados tabus, como é o caso do 27 de maio. Estas restrições atingem a imprensa e até mesmo o sistema educacional.

Palavras-chave


rap, Artur Nunes, David Zé, Urbano de Castro, música, resgate histórico, 27 de maio de 1977.

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DOI: https://doi.org/10.22409/rcc.v0i11.2884

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ISSN 2238-9288

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